País da Semana México

Contexto Histórico e Político
O México é um dos países mais violentos do mundo, especialmente os Estados do Norte. Esta violência é causada principalmente pela penetração do crime organizado, com um grande número de organizações criminosas envolvidas em diversas formas de tráfico.

As organizações criminosas operam com muita liberdade, devido à impunidade, e a ausência eficaz de Estado. Isso se torna claro, quando observa-se a corrupção generalizada, a intimidação e até infiltração das instituições de segurança e de justiça do governo.

A natureza democrática do Estado mexicano está em pauta, principalmente pela continuidade do Partido Revolucionário Institucional (PRI) no poder e que vem dominando os poderes Executivo e Legislativos por 71 anos consecutivos. A eleição de Vicente Fox, pertencente a outro partido político, para a presidência em 2006, foi considerada por muitos como um passo importante no processo de redemocratização do México. Outros analistas, no entanto, foram cautelosos, e alguns veem a eleição de Enrique Peña em 2012, que é novamente a partir do PRI, como uma confirmação de aderência do PRI no poder.

Assim, o México é considerado uma democracia eleitoral em várias escalas, e as instituições políticas do país têm um desempenho relativamente bom quando comparado a outros países da região e do mundo. Não é menos verdade, porém, que a presença do crime organizado no país é uma ameaça permanente para a consolidação de suas instituições democráticas.

Grupos de cristãos mais afetados
No México imperam 3 grupos de cristãos:
• As comunidades cristãs históricas, incluindo os católicos (que ainda é a religião majoritária) e protestantes tradicionais (presbiterianos e outros)
• comunidades cristãs não-tradicionais como o pentecostalismo e o movimento de renovação católica
• Convertidos da tradição indígena.
Todos grupos são afetados pela perseguição, embora haja diferenças tipos de perseguição, sendo que o cristão convertido em bases indígenas e os que estão em áreas de narcotráfico são perseguidos ampla e fortemente pela religião tradicional indígena e por líderes do crime organizado, respectivamente.

Extrema violência, incluindo assassinatos, extorsão e sequestros, gera medo e leva cristãos e igrejas a um constante estado de alerta. Estas ameaças constantes tornam o cotidiano da igreja quase impossível em algumas áreas. Os cristãos que se recusam a pagar o dinheiro solicitado por organizações criminosas precisam fechar suas igrejas, ou empresas, ou enfrentar represálias violentas. Suas casas estão sendo atacadas e alguns são até mesmo mortos.

Entre novembro de 2013 e outubro de 2014 (período de referência desta pesquisa), pelo menos quinze cristãos foram mortos por estas razões, pelo crime organizado.
Em Matamoros, seis líderes cristãos foram mortos por uma organização criminosa.
Em Monterrey e em Michoacán, no mínimo, três ex-membros do cartel foram mortos porque se recusaram a voltar para o crime organizado.

Um líder religioso ugandense que veio para o México como missionário foi encontrado morto e jogado em uma fossa. Um grande número de igrejas também foram atacadas. Muitos cristãos são sequestrados e torturados pelo crime organizado. Nas comunidades indígenas, os recém-convertidos ao cristianismo são muitas vezes vítimas de violência física e, muitas vezes suas casas são destruídas. Durante este período, cerca de oitenta casos de abuso físico foram relatados nos estados do sul do México. Além disso, centenas de casos de deslocamentos forçados foram noticiados.

Perspectivas de futuro
As forças de segurança nacionais foram incapazes de enfrentar adequadamente a situação, em parte por causa da infiltração e cooptação das instituições de segurança e judiciário. A “guerra contra o crime” está longe de ser resolvida, apesar dos esforços desesperados das forças de segurança do país para reprimir as organizações criminosas.

A evolução positiva pode ser vista em algumas partes do país, mas, em geral, dificilmente pode-se dizer que o Estado mexicano está tendo sucesso em sua missão de conter os cartéis de drogas e outras organizações criminosas. Títulos como “narco-democracia” têm sido aplicados ao México, e se justificam quando se leva em consideração a impossibilidade do país em defender o Estado de Direito.

O México tem leis relativamente adequadas e instituições políticas apenas na teoria, na prática a impunidade e a corrupção são generalizadas. A situação da segurança no México continuará a ser terrível, o que é sempre um contexto amargo para a Igreja cristã que a cada dia se torna mais perseguida no país.

Fonte: https://www.portasabertas.org.br/cristaosperseguidos/saiba_mais/mexico/

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