País da Semana Catar

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Abandonar o islamismo é considerado apostasia e aqueles que se convertem ao cristianismo enfrentam perseguição severa
A Igreja e a Perseguição Religiosa

A Igreja

O cristianismo chegou à região no início da era cristã e cresceu consideravelmente até ser praticamente erradicado pelo islamismo no século VII. Na era moderna, no século XIX, os católicos foram os primeiros a estabelecer a Igreja.

Não se sabe ao certo o número de cristãos. Sabe-se, porém, que a maioria deles é estrangeira, imigrantes que trabalham para as companhias petrolíferas. É possível que haja alguns milhares de cristãos nativos não declarados.

A perseguição

Os cultos religiosos são realizados sem autorização prévia do governo, mas as congregações não podem anunciá-los publicamente com antecedência, nem usar símbolos religiosos visíveis, como a cruz. Os cultos cristãos são realizados regularmente e abertos ao público. Alguns deles, particularmente os de Páscoa e Natal, atraem milhares de participantes.

Em março de 2008 foi inaugurada a primeira igreja cristã oficial, a igreja católica romana Santa Maria. Até então, os cristãos não tinham permissão para cultuar publicamente. Não houve nenhuma mudança no status de respeito pela liberdade religiosa, pelo governo. Sunitas e xiitas muçulmanos praticam o islamismo livremente. Cristãos, hindus, budistas e praticantes em geral adoravam em locais privados, sem o assédio do governo ou da sociedade, mas houve restrições à adoração pública.

Segundo a Constituição do Catar, o islamismo é a religião oficial do Estado e a base do sistema legal. Esta mesma Constituição, no entanto, garante direitos democráticos. O respeito à liberdade religiosa melhorou nos últimos anos. A Constituição explicitamente prevê a liberdade de culto, tendo adotado leis que permitem liberdade de reuniões públicas. Essa dicotomia reflete-se na sociedade. Embora qualquer tentativa de evangelismo seja proibida, os estrangeiros cristãos são livres para organizar e divulgar seus serviços de culto, e ministros cristãos têm liberdade para entrar no país e viajar pelo território sem nenhuma restrição.

O governo regula a distribuição de materiais religiosos, mas há permissão para se importarem Bíblias. Missionários contam que os convertidos sofrem uma perseguição severa por parte de sua família e do governo, podendo até ser mortos por isso. Por essa razão, ex-muçulmanos protegem sua identidade e não querem nem ter contato com outros ex-muçulmanos, temendo fofocas, traição e perseguição.

Quase todos os ex-muçulmanos catarianos se convertem fora do país, quando cursam universidades no ocidente, por exemplo, mas a maioria não retorna ao país após sua conversão, temendo a perseguição. O governo, há anos, tem permitido que comunidades cristãs católicas, ortodoxas, anglicanas e de outras denominações protestantes reúnam-se informalmente em cultos domésticos, mediante notificação prévia às autoridades locais.

Nenhum grupo missionário estrangeiro tem operado abertamente no país. Em junho de 2004, entrou em vigor um novo código criminal estabelecendo novas regras para a conversão. Quem for flagrado pregando em nome de uma organização, sociedade ou fundação que não seja islâmica, pode ser condenado a até dez anos de prisão. Se a pregação for feita no âmbito individual, a detenção é de até cinco anos. Segundo essa nova lei, as pessoas que possuem materiais escritos ou gravados, ou itens que promovam a atividade missionária, podem ser detidas por até dois anos.

Recentemente, um líder ocidental, nascido e criado na Península Arábica, declarou: “O Golfo está se tornando um verdadeiro campo de testes para se verificar se o islã pode conviver com a diversidade em seu meio. Até o momento, no que se refere à luta entre os muçulmanos moderados e os mais radicais, os governantes são obrigados a adotar uma postura extremamente cautelosa antes de tomar qualquer decisão”.

História e Política

O Catar é um pequeno país do Golfo Pérsico localizado na Península Arábica. Depois da Arábia Saudita, o Catar é o país mais conservador do Golfo Pérsico, onde o Wahabismo* , uma das interpretações mais rigorosas do Islã, é a religião oficial.

Seu nome deriva de “Qatara”, referência à cidade de Zubara no Qatar, um importante porto comercial da região na antiguidade. A palavra “Qatara” apareceu pela primeira vez num mapa de Ptolomeu do mundo árabe.

A história do Catar remonta à Antiguidade e se assemelha à da Arábia Saudita e do Barein. Por aquelas terras passavam caravanas do ativo comércio entre a Mesopotâmia e a Índia. Os primeiros habitantes conhecidos daquela área foram os cananeus. O islã conquistou a região no século VII e, a partir de então, o Catar foi domínio de vários impérios muçulmanos. Os iranianos dominaram a região por algum tempo.

No século XVIII, a família al-Thani conseguiu unificar as tribos do país, embora ainda estivessem sob domínio do Bahrein. Em 1868, o clã al-Thani conseguiu a independência do país, com a mediação da Inglaterra. Em 1916, o país tornou-se um protetorado britânico, situação que perdurou até 1971, quando o Catar obteve sua independência.

Durante o século XX, o país permaneceu politicamente aliado à Arábia Saudita.

Outro fato importante na história do país foi a sua participação na Guerra do Golfo, em 1991, contra o Iraque, na qual ganhou importantes batalhas. A família al-Thani continua no poder até hoje.

*Wahhabismo é uma seita islâmica composta pelos seguidores de um indivíduo chamado Muhammad bin abdul Wahhab, que no século XVIII iniciou suas pregações de caráter puritano e extremista na Península Arábica. Mais tarde, por intermédio de sangrentas guerras com o apoio de forças colonizadoras, tornou-se a fé e ideologia dominante da região, através da aberta aceitação e colaboração da família Saud (Sauditas).

População

O Catar tem uma população que inclui um grande número de trabalhadores estrangeiros de diversas cidadanias. Como resultado da presença de imigrantes, a população catariana apresenta uma grande desproporção entre a população masculina e a feminina: dois terços da população são constituídos por homens.

Aproximadamente 23% dos habitantes têm idade inferior a 15 anos. A taxa de crescimento demográfico é baixa e estima-se que a população catariana não chegue nem ao dobro do que é hoje em 2050.

A maioria dos habitantes é árabe, mas há algumas minorias asiáticas. A maior parte do povo catariano vive em áreas urbanas. Doha, a capital, abriga 83% da população de todo o país. Mais de 77% da população é muçulmana de tradição sunita, embora exista também uma minoria xiita.

Economia

Rico em petróleo e gás natural, o Qatar (pronuncia-se KUT-ter) é uma das nações mais ricas do mundo. No nordeste da sua costa encontra-se o maior depósito de gás natural do mundo, em desenvolvimento, num ritmo acelerado. Esse campo promete fazer do Qatar um dos maiores fornecedores mundiais de energia e, em poucos anos, a nação mais rica, per capita, da Terra. O petróleo e o gás natural representam 50% do PIB e fizeram do país o que tem a menor taxa de desemprego no mundo.

A abundância de campos petrolíferos permite que importante parte das receitas geradas seja utilizada no desenvolvimento da nação. O governo já aumentou a malha rodoviária, construiu vários hospitais e implantou usinas de dessalinização da água do mar. Além disso, criou um plano de assistência social que inclui educação e atendimento médico totalmente gratuitos. Qatar é o destino de imigrantes vindos do sul e sudeste da Ásia.

Entretanto, muitos caem nas mãos de traficantes e são transformados em escravos domésticos. Em grau menor, alguns são sujeitados à exploração sexual.

Apesar de a capital do país parecer uma cidade moderna, sediando a maior rede árabe de notícias, a Al Jazeera, a cultura do Catar ainda é tribal. A sociedade sofre com o alcoolismo, abuso sexual (três a cada quatro meninas são vítimas), violência doméstica e repressão da mulher.

Fonte: https://www.portasabertas.org.br

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